Por Júnior Moresco – Artigos de Opinião – Conexão em Pauta
As entrevistas de Alexandre Martins e Lucas Manequinha ao portal Jornais em Foco ajudam a antecipar o debate sobre a sucessão municipal. Um confirmou que buscará a reeleição. O outro disse, sem rodeios, que deseja disputar a Prefeitura.
Os dois ainda falam em diálogo e respeito. Mas, em alguns temas, as versões não se encaixam tão bem.
Alexandre está no jogo
“Sou candidatíssimo à reeleição em 2028”, afirmou o prefeito. Alexandre também revelou que está próximo de se filiar ao PL e destacou Jefinho como seu “braço forte” nas conversas políticas, que, segundo ele, avançam todos os dias.
É um reconhecimento importante a Jefferson Binhotti, o Jefinho, que tem experiência de articulação e trânsito nos bastidores. Se a missão é unir partidos em torno de Alexandre, ele terá bastante trabalho pela frente.
Lucas não deixou dúvida sobre o que quer
Lucas Manequinha também foi direto: disse que deseja ser candidato a prefeito e que pretende construir esse projeto com responsabilidade, diálogo e trabalho. Defendeu o protagonismo do MDB na disputa majoritária e deixou claro que não quer ver o partido fora da conversa.
E teve uma frase que merece atenção: “Quem trabalha para ser vice não será nada”. Lucas ainda ponderou que é cedo para antecipar decisões, mas o recado político ficou dado. Hoje, seu objetivo parece ser construir uma candidatura própria, com ele na cabeça de chapa.
A eleição da Câmara: duas leituras
Ao comentar a eleição de Lucas para a presidência da Câmara, Alexandre falou em “conversas entre o Executivo e o Legislativo”. Lucas afirmou que a construção da presidência ocorreu por articulação do próprio Legislativo.
Pode haver espaço para as duas coisas terem acontecido. Ainda assim, as respostas apresentam versões diferentes sobre quem conduziu a articulação. Uma divergência pequena na forma, mas politicamente interessante. jornaisemfoco.com.br
Sindicato: portas abertas, mas quem conversa?
O jornalista Décio Alves perguntou a Alexandre sobre a repercussão de sua fala a respeito do sindicato. O prefeito respondeu que o assunto “não será mais comentado ou debatido”. Depois, afirmou que o sindicato sempre teve e terá as portas abertas na Prefeitura, citando os secretários Valmir Borges, da Administração, e Gustavo Sagaz, da Educação, como responsáveis pelo atendimento.
Lucas, por sua vez, defendeu o respeito às instituições e declarou apoio aos trabalhadores. Alexandre preferiu encerrar o assunto; Lucas aproveitou para marcar posição. As respostas não foram iguais e essa diferença também compõe o cenário político.
Obras: uma parceria que merece ser lembrada
Ao falar das obras em andamento, Alexandre citou projetos importantes para Biguaçu. Mas faltou, na minha avaliação, reconhecer um pouco mais a parceria com Salmir da Silva e o trabalho realizado durante a gestão anterior.
O programa Biguaçu Cidade que Avança, com aproximadamente R$ 104,8 milhões em obras e ações, foi lançado em 27 de março, quando Salmir ainda era prefeito e Alexandre era vice. O anúncio registrou o planejamento e a captação de recursos feitos ao longo de 2025, e os dois participaram do lançamento. Por isso, quando o assunto é esse pacote, lembrar de Salmir não seria favor: seria contar a história completa.
Alexandre pode e deve apresentar as entregas da atual administração. Mas reconhecer a origem de projetos construídos em parceria também demonstra segurança. Quando um nome some da narrativa, fica a impressão de que alguém prefere não mencioná-lo, ainda que essa não tenha sido a intenção.
E Salmir, sentaria à mesa?
Questionado sobre a votação de Salmir para deputado estadual, Alexandre avaliou que Biguaçu não deu ao ex-prefeito o resultado esperado. Sobre a possibilidade de Salmir integrar o governo, respondeu que os dois não conversaram sobre isso.
A resposta foi curta. O comentário político, porém, fica: diante do clima que essas declarações sugerem, talvez seja melhor não convidar Alexandre e Salmir para sentar à mesma mesa pelo menos até que essa conversa aconteça.
Dois projetos, uma longa estrada
Alexandre confirmou que quer continuar no comando da Prefeitura. Lucas declarou que deseja chegar lá. As entrevistas indicam duas candidaturas possíveis e deixam diferenças à mostra: sobre a articulação da Câmara, o sindicato e até o reconhecimento da parceria política que marcou o pacote de obras.
Ainda é cedo. Há partidos, alianças e decisões estaduais pela frente. Mas uma coisa já está clara: Lucas não escondeu seu projeto, e Alexandre também não. O morde e assopra começou com elogios ao diálogo, algumas alfinetadas e bastante política nas entrelinhas.
Leia as entrevistas completas:
- Lucas Manequinha fala sobre o desejo de disputar a Prefeitura em 2028
- Alexandre Martins confirma que pretende disputar a reeleição
- Biguaçu anuncia mais de R$ 104 milhões em obras e ações para 2026
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